Competências Técnicas X Competências Comportamentais

Recentemente em um voo, conversava com a passageira ao meu lado e como quase sempre acontece no início de uma viagem, falamos sobre o tempo em nossa rota, da queda da qualidade no serviço e do atendimento das companhias aéreas que parecem não perceber que o passageiro fiel é o maior ativo que podem ter, além de outras amenidades relacionadas a aviação.

Chamou minha atenção o olhar crítico que ela tinha sobre cada profissional envolvido, da jovem que fez o check-in até as comissárias, enfim ela tinha uma visão sistêmica de toda operação e do valor agregado que cada colaborador deveria dar à sua atividade.

Pouco depois soube que ela era diretora de pessoal de uma conhecida empresa do ramo alimentício e que tinha sob seus cuidados alguns milhares de profissionais. Tinha, portanto, experiencia no assunto, mas chamava muito a atenção seu feeling no trinômio –  profissional capacitado x colaborador feliz x desempenho com consequente aumento na produtividade.

O assunto interessava, apresentei-me como Coach e durante todo o voo a conversa foi uma troca muito interessante de experiencias e casos reais.

Há muito já vinha analisando e defendendo o ponto de vista que as competências comportamentais dos colaboradores devem estar em um nível pouco mais alto que as competências técnicas. Tenho tanta convicção disto que resolvi compartilhar meu ponto de vista, mesmo que isto pudesse ocasionar discordância da parte dela.

Ela não só concordou comigo como ainda afirmou: Cleyson, o meu pessoal tem a orientação de utilizar o nível de soft skills como critério de desempate para uma vaga e mais, se o candidato tem um alto nível em suas soft skills, muito maior que de outros candidatos, porém um nível menor nas competências técnicas, este candidato deve ser o escolhido, afinal é mais fácil ensinar técnicas que comportamentos, pois requer um tempo maior de capacitação e muito comprometimento por parte do profissional.

Se pudesse generalizar, naquele momento, baseado nas afirmações daquela executiva, eu diria que o grande diferencial que as empresas estão buscando são as soft skills em alto nível e que atendam as reais necessidades do mercado.

Afinal, eu estava mais tranquilo, pois esta afirmação estava alinhada com que vinha falando aos meus coachees e alunos de pós-graduação. Eu já havia sido taxado como sonhador, poeta na gestão de pessoas, “um fora da realidade brasileira”. Tudo que estava ouvindo apenas mostrava que eu estava no caminho certo. O Ego agradeceu.

Discutimos muito sobre quais seriam as soft skills essenciais atualmente e o que falta para que os profissionais ingressem no mercado de trabalho com alguma noção sobre o assunto.

Conseguimos elencar uma série de soft skills que ao menos para sua empresa eram fundamentais, mas em uma análise posterior foi possível perceber que quase a totalidade delas eram também, muito importantes para as outras. Uma ou outra característica poderia variar de uma empresa para outra, mas aquelas que juntos havíamos enumerado, realmente eram fundamentais.

Ela foi enfática em nomear a liderança, ética, autodesenvolvimento, trabalho em grupo e autoconhecimento como as principais no seu ponto de vista, mas ao todo tínhamos pontos de vista bastante semelhantes em quase duas dezenas de comportamentos.

Caso você atue como gestor de uma grande ou pequena equipe, quais seriam as soft skills que mais prioriza em seu trabalho?  Deixe seu ponto de vista aqui nos comentários.

Deixo aqui também, duas perguntas:

1.Você já avaliou a quantas anda as suas próprias soft skills?

2. O que você pretende fazer a partir de hoje para não ficar de fora do grupo dos excelentes profissionais?

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