Vamos falar de Jazz?

Recentemente um amigo empresário me disse: Finalmente consegui deixar minha empresa funcionando como um relógio!

De imediato perguntei: E o que você está fazendo para mudar isso?

Sem entender a minha provocação ele continuou: todos os colaboradores em seus devidos lugares, todos trabalhando conforme as minhas determinações, tudo funcionando. Na verdade, o que ele estava me dizendo é que todos estavam bem treinados e faziam tudo certo e sempre da mesma maneira, como se espera em um relógio.

CEO´s brasileiros são reconhecidos por saberem aliar estratégia e criatividade, além de uma capacidade muito grande para improvisar, afinal condições para praticarem têm de sobra – o mercado nacional sofre continuamente com a falta de uma política econômica consistente e/ou estratégica de médio e longo prazo.

Novos impostos e novas normas surgem a qualquer momento. Os mesmos governantes que antes diziam que uma tributação era danosa ao povo, de um momento para outro a defendem como a única salvação da economia.

Sobreviver a este caos é um excelente treinamento para qualquer administrador.

O grande problema é que se alguns administradores conseguem ter sucesso neste cenário, existe uma grande maioria que ainda não está preparada para esta situação surreal, pois ainda pensam como meu amigo empresário que sonhava em ter sua organização funcionando como uma orquestra sinfônica, onde as partituras estão escritas e todos se restringem aos comandos do maestro, não mudando em nada o que está estabelecido.

Empresas que são dirigidas como grandes sinfônicas certamente passarão dificuldades enquanto o padrão existente for este que vemos atualmente.

A cada dia o mercado tem que se amoldar a uma nova realidade e os gestores devem estar preparados para isso. Devem ter criatividade e inovação bastante desenvolvidas, resiliência para suportar os insucessos e principalmente, todos atuarem com o objetivo do bem comum.

Individualidades e falta de espirito de equipe não podem ser toleradas atualmente.

A empresa atual deve se assemelhar a grupos de Jazz onde todos podem improvisar em torno de uma linha melódica pré-estabelecida com a finalidade de produzir algo que agrade a plateia que pode variar de uma para outra apresentação. Todos os músicos improvisam, mas buscam um resultado que agrade a eles e aos seus clientes – o público.

A primeira vista o termo “improvisar” pode assustar, pois imaginamos que seja algo colocado em prática sem uma análise prévia. Um acorde improvisado só se torna possível após muito exercício de planejamento e avaliação e que está “arquivado” na memória musical do executante, que em segundos escolhe o que fazer dentro das inúmeras opções previamente estudadas. Na realidade, tanto no improviso jazzístico, como na empresa, a inspiração tem seu valor, mas não o maior, pois o que realmente conta é a velocidade da implementação da melhor frase musical para aquele momento dentre tantas que existem em seu repertório.

Para ser excelente, o gestor requer esforços incomuns a fim de encontrar a melhor resposta no menor tempo e isto se consegue após um trabalho árduo de estudo, analise, experiencia e principalmente autoconhecimento.

Tanto as empresas quanto grupos de jazz necessitam de profissionais competentes dotados de grande criatividade, que tenham a inovação como objetivo e que além de inspiradores tenham a ousadia de implementar novas ideias e novos modelos de frases melódicas e interpretação.

Não só os músicos de Jazz, mas também os profissionais atuais necessitam ter coragem para mudar, o que representa abdicar do status quo e que não valorizem demais possíveis perdas e ganhos potenciais, enfim que saibam o que estão fazendo.

Os ganhos sempre serão proporcionais aos riscos e toda e qualquer acomodação fará com que a melodia seja anacrônica, deselegante e cansativa, ao contrário do espirito do Jazz que é livre, desafiador e instigante.

O músico em seu grupo e o profissional na empresa necessitam conhecerem-se a si mesmos, saberem das suas limitações e capacidades e, com os recursos que têm, encantarem os outros, como fez Chet Baker que apenas utilizava a escala média de seu instrumento, portanto a mais fácil tecnicamente. Com estes aparentes poucos recursos, valendo-se de uma sensibilidade apurada e com uma criatividade ainda não igualada, tornou-se referência para os amantes do Jazz.

O profissional de hoje também deverá atingir a excelência, utilizando-se dos meios que possui e com habilidades criativas necessárias para produzir em prol da equipe e da empresa, deixando de lado o próprio benefício, pois o mercado exige bom senso e entendimento do momento turbulento em que nos colocaram.

 

 

 

 

 

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